sexta-feira, outubro 17, 2014

A eleição antipetista




Por David Coimbra




Esta é a eleição do antipetismo. Vejo amigos petistas magoados, queixando-se do ódio que as pessoas sentem do PT. É verdade, é ódio mesmo, e também é verdade que nada se constrói com ódio. Mas os petistas precisam compreender que o antipetismo não existia antes do petismo. O antipetismo é uma reação.

Os petistas dignos tinham de tentar compreender a natureza da ação que gerou essa reação. Por que o antipetismo tão feroz infiltrou-se em praticamente todas as artérias da sociedade brasileira? Alguns analistas petistas tentam explicar o infortúnio do PT por seus méritos. 

Grosseiramente falando, seria uma reação dos ricos e da classe média, que não admitem ver pobres melhorando de vida. Isso é uma tolice. É como aquele sujeito insuportável, detestado por todos, que justifica sua solidão pela inveja que os outros supostamente sentem da sua beleza, da sua inteligência, da sua competência, seja o que for.

Se os petistas tiverem humildade, reconhecerão vários motivos para essa rejeição, mas um acima de todos: é a atitude religiosa e excludente dos petistas, que acham que o PT detém o monopólio da correção política e do porte das bandeiras de causas populares. 


O petista transformou-se em algo parecido com um gremista, com um colorado, com um torcedor de futebol, que vê no seu clube o sal da terra e no adversário o próprio Mal. Cada vez que um petista abre a Tamanha arrogância até seria perdoável, se correspondesse à realidade. Não corresponde, e os escândalos de corrupção orgânica que saltam como carpas das águas do governo do PT estão aí para comprovar.





Esse, aliás, é o segundo grande motivo da rejeição ao PT. Lula, com seu gênio político, entendeu que o PT precisava se abrir para governar. Mas aí foi ao extremo. Abriu-se demais, fez concessões demais. E trouxe para junto do PT tudo o que o PT repudiava. O PT fez as alianças mais espúrias da história da política brasileira, e digo que são as mais espúrias não por quem se aliou ao PT, mas pelo PT. Pelo PT ter aceito tais alianças. 




Afinal, os brasileiros esperam que Sarney, Collor, Maluf e Calheiros façam aliança com qualquer um para deter o poder, mas não esperavam que o PT fizesse alianças com Sarney, Collor, Maluf e Calheiros para deter o poder. Foi uma traição. Uma traição, inclusive, aos muitos petistas retos que há.

Agora o PT vive um momento delicado, sentindo o antipetismo pulsante em todo o país. Não sei se isso levará o PT à derrota na eleição, mas sei que este pode ser um momento de aprendizado. Pode ser um momento de engrandecimento. Porque as crises não servem só para fazer sofrer. Servem para fazer crescer.



David Coimbra
Jornalista, Diretor de Esportes e Colunista do Jornal Zero Hora
*Coluna Publicada sob autorização do Autor*



terça-feira, outubro 14, 2014

Justiça impede que Prefeitura de Rio Grande mantenha 42 "CCs" e crie Secretarias por Decreto



A ideia inicial do Prefeito Alexandre Lindenmeyer (PT) em manter mais "CCs" (Cargos de Confiança) para entupir a Prefeitura de Rio Grande e pesar na folha de pagamento, foi frustrada hoje a tarde pelo Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul. 


O Executivo nomeou em 2013, QUARENTA E DOIS Cargos de Confiança, cumprindo uma Lei Municipal aprovada em 2012 (Lei 7165/2012), que na época foi AMPLAMENTE combatida pela Bancada do PT na Câmara.
A partir da decisão de hoje, TODOS os cargos deverão ser extintos e os ocupantes exonerados.

Foi por água abaixo também, a intenção da Prefeitura em criar Secretarias Municipais através de Decreto, sem submeter à aprovação da Câmara de Vereadores.


Em sessão realizada nesta segunda-feira, 13, o Órgão Especial do Tribunal julgou procedente, por unanimidade, duas Ações Diretas de Inconstitucionalidade que foram propostas pelo Procurador-Geral de Justiça contra leis do município de Rio Grande. 


Na primeira Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI), os Desembargadores que integram o Órgão Especial declararam inconstitucional dispositivo de lei que prevê a criação de secretarias municipais mediante decreto. 


Em plenário, o Procurador de Justiça Antônio Carlos de Avelar Bastos destacou que “o comando normativo apontado viola os princípios da simetria estrutural e da legalidade, sendo forçoso reconhecer o fato de que as Constituições Federal e Estadual exigem a edição de lei em sentido formal, e não mero decreto executivo, para a criação de secretarias municipais”


Em relação à segunda ADI, o Órgão Especial declarou inconstitucional a lei municipal que criou os cargos em comissão de Dirigente de Serviço Especial e Chefe de Serviço Especial em Rio Grande. Em seu parecer, defendido em plenário, Antônio Carlos de Avelar Bastos enfatizou que tais cargos foram criados em descompasso com as funções próprias de direção, chefia ou assessoramento e, por isso, afrontam as Constituições Estadual e Federal. 



Fonte: Ministério Público do Estado do Rio Grande do Sul 
http://mprs.mp.br/ 





Eduardo Bozzetti